Melhoria contínua nos processos organizacionais

Programas de melhoria contínua são estratégias eficazes de implantação da cultura da qualidade numa organização. “Melhoria” pode ser entendida como a obtenção de um nível de desempenho superior a qualquer outro nível de desempenho alcançado anteriormente (JURAN, 1988). Para Maximiano (2004), a melhoria contínua é a filosofia que busca aperfeiçoar todos os fatores relacionados com o processo de contínua conversão de inputs em outputs, abrangendo métodos, materiais, equipamentos e pessoas. A forma mais usual de operacionalizar a melhoria contínua é a organização de equipes multifuncionais para solução de problemas.

A melhoria contínua será realmente eficaz nas empresas, quando for direcionada como prioridade de negócio, difundida e disseminada em todos os processos da empresa, contando com o envolvimento de todos os funcionários, da alta administração até o chão de fábrica (MERLI, 1993). Nesse contexto, para o sucesso na implementação de um programa de melhoria contínua, todos os funcionários precisam estar engajados e comprometidos com a iniciativa. Porém, no estágio inicial, a alta direção possui um papel fundamental, pois precisa além da sensibilização, trabalhar para que o programa seja de todos e para todos os colaboradores.

Segundo Deming (1990), não há nada que substitua o trabalho em equipe e bons líderes para alcançar uma consistência nos esforços juntamente com o acúmulo de conhecimento.

O fracasso e a falta de confiabilidade de alguns programas de melhoria contínua, nas organizações, estão relacionados à falta de entendimento e de valorização do comportamental, visto que grande parte da bibliografia e dos manuais, sobre melhoria contínua, não abordam os aspectos comportamentais para a condução da melhoria contínua (BESSANT et al. 2001). Outra variável que deve ser considerada é o tempo. Nas etapas iniciais de um programa de melhoria contínua, quanto mais tempo empregado em capacitações e reuniões, menor é o tempo disponível para realizar efetivamente as atividades rotineiras, o que poderá incorrer uma queda na produtividade presente. Acrescido a isso, se a alta direção não reconhecer esta realidade, e cobrar resultados imediatos, todo o colaborador envolvido poderá se deixar levar por uma pressão por produtividade, ocasionando perda de dedicação na manutenção do programa. Entretanto, sem capacitações adequadas e reuniões para discussão das melhorias, não há condições necessárias para o desenvolvimento do programa. Assim, a alta direção necessita administrar a ansiedade por resultados imediatos, controlar a velocidade das ações e das propostas de soluções iniciais, para que o programa não entre em um círculo vicioso do fracasso.

A melhoria contínua não pode ser adquirida, precisa ser adaptada e apropriada pela realidade que a empresa vive, é necessário adotar objetivos bem claros de onde se quer chegar, como alcançar e como manter as ações, estabelecendo regras simples de abordagem em todas as etapas do programa de melhoria contínua, e um plano de execução com excelência pela alta direção da empresa.

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